Especialista em Amazônia, físico Paulo Artaxo conquista prêmio Sociedade/Sustentabilidade de O Globo

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Especialista em Amazônia, físico Paulo Artaxo conquista prêmio Sociedade/Sustentabilidade de O Globo


 
Pesquisador estuda aspectos complexos do bioma amazônico, como a poluição atmosférica e o ciclo hidrológico da região
Foto: Eduardo Cesar/Revista Pesquisa Fapesp

Paulo Artaxo Netto, professor do Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP), foi escolhido vencedor na categoria Sociedade/Sustentabilidade da 14ª edição do Prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que homenageia anualmente brasileiros cujos trabalhos se destacam em diversas áreas de atuação.

Autor de mais de 400 pesquisas e figurando na lista da Thomson Reuters como um dos 3.126 pesquisadores mais influentes do mundo, conforme mencionou O Globo, Artaxo estuda aspectos complexos do bioma amazônico, como a poluição atmosférica e o ciclo hidrológico da região.

Em 2016, tornou-se presidente do Programa de Grande Escala Biosfera-Atmosfera na Amazônia, um projeto de cooperação internacional, e publicou na revista Nature extenso estudo sobre como se formam as chuvas na floresta amazônica, feitos que lhe renderam a indicação ao prêmio.

A absorção de poluentes pelo bioma é impressionante, mas os cientistas ainda não sabem por quanto tempo a floresta terá essa capacidade

Artaxo é membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS), da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e de sete outros painéis científicos internacionais.

Depois da votação popular para definir três indicados em cada uma das 17 categorias do prêmio, os vencedores foram definidos por um júri formado por jornalistas de O Globo, dirigentes da Firjan, ganhadores do prêmio anterior e internautas. Na categoria Sociedade/Sustentabilidade integraram o júri William Helal Filho, Milton Calmon Filho, Roberto Maltchik (O Globo) e Thelma Krug.

"A Amazônia concentra uma quantidade de carbono equivalente a 15 anos de emissões de combustíveis fósseis", ressaltou Artaxo ao jornal O Globo. "É uma região crucial para determinar como será o clima do planeta no futuro."

Absorção de poluentes
A absorção de poluentes pelo bioma é impressionante, mas os cientistas ainda não sabem por quanto tempo a floresta terá essa capacidade. De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão global integrado por Artaxo, o Leste da Amazônia poderá passar nas próximas décadas por um processo de savanização. O corte de árvores diminuiria a quantidade de nutrientes disponíveis para cada espécie.

"Conhecemos muito pouco o ecossistema da Amazônia, que é extremamente complexo", reconheceu Artaxo. "O estudo deve ser interdisciplinar. Por isso, investi em áreas como a pesquisa sobre a poluição atmosférica e o ciclo hidrológico da região. E não há apenas uma resposta para o enigma. As regiões queimadas, por exemplo, podem conter mais de uma espécie, e cada uma delas reage de uma forma diferente ao aquecimento", destacou Artaxo. 

Poder público
Segundo o pesquisador, há “um exército” de cientistas de todo o planeta dedicados ao estudo da Amazônia, mas o contingente brasileiro ainda é muito abaixo do ideal. "Não é por falta de interesse ou potencial. Infelizmente, temos uma dificuldade muito grande para conseguir apoio do poder público", lamentou Paulo Artaxo.

Além das mudanças climáticas, que vão se manifestar ao longo das próximas décadas, outro episódio mostra como é cada vez mais urgente conhecer a floresta. Nos últimos dois anos, o desmatamento aumentou de cinco mil para sete mil quilômetros quadrados. "O desmatamento caía há 20 anos, e agora houve esse aumento significativo", alertou. "Precisamos implementar novas políticas públicas, que protejam o meio ambiente e explorem a biodiversidade."

O físico também dedica parte de seu trabalho à selva urbana. Monitora, desde a década de 1990, a poluição atmosférica em São Paulo e no Rio. Nos últimos anos, o céu clareou, mas agora novos poluentes, como o ozônio, aparecem em um nível cada vez maior. Dividido entre mata e metrópole, Artaxo observa como ainda há muito o que ser feito.

A lista completa e descrições dos indicados e vencedores, bem como outras informações, podem ser acessadas no endereço http://eventos.oglobo.globo.com/faz-diferenca/2016/.

Com informações da Agência Fapesp e de O Globo.

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Wander Delgado
Wander Delgado
Químico, especialista em meio ambiente e gestão de resíduos, contabilidade industrial e viabilidade técnico econômica.

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